Daniela, jornalista, muito prazer :)

Poderia começar dizendo meu nome, idade, signo, mas isso não diria nada sobre mim. Quem eu sou? Jornalista – de alma e formação. Gosto de perguntar, de ouvir, de indagar, de insistir. Sou curiosa, mas não chata. Um dos meus passatempos preferidos no ônibus é ouvir conversas aleatórias. E observo as janelas dos prédios para tentar espiar o que as pessoas estão fazendo naquele instante em que as nossas vidas se cruzam. É assim – observando, escutando, prestando atenção ao aparentemente desinteressante – que já vi e ouvi coisas incríveis.

Pois bem, agora sim: meu nome é Daniela, tenho 24 anos, sou carioca, brasileira e italiana, acredito em relacionamento à distância, como de tudo e não engordo, sou viciada em chocolate, biscoito, português bem escrito e falado, e anotações. Anoto desde conversas engraçadas e insólitas que ouvi por aí até pensamentos e frases que podem se transformar em “tweets” ou textos de mais de 140 caracteres.

Adoro conversar, dar risada (é bem verdade que estou sempre rindo), passear a pé, ver filmes, séries, ler, dançar, ficar de pijama em casa, ver fotos, ouvir música, guardar lembranças em caixas, escrever cartas, conhecer gente, ajudar pessoas, falar outras línguas, viajar, trabalhar, aprender, ser útil.

Não gosto de falta de educação, melancolia, mentira, desperdício, alergia, poluição, cigarro, injustiça, tédio, engarrafamento, inflação, bagunça, óculos e caju. Até conhecer o urinol de Duchamp, confesso que eu não era grande fã de arte moderna. As pessoas costumam dizer que até elas poderiam fazer igual, mas ninguém nunca havia pensado em expor um urinol – ou faltou coragem. Nada como simplicidade e ousadia.

Queria dar um pulo no Acre, mas também pegar um barco da Dinamarca para a Groenlândia. Gosto de lugares e culturas diferentes. Tenho apreço pelo que, para muitos, não seria opção. Quando morei em Paris, durante intercâmbio universitário, preferi economizar o dinheiro que eu ganhava fazendo bico de babá para conhecer, primeiro, Cracóvia e Bratislava. Só depois eu me aventuraria por capitais como Londres e Madri.

Minha primeira resposta para a pergunta “O que você quer ser quando crescer?” foi “escritora”. A professora da escola me dava estrelinhas douradas pelas boas histórias que eu escrevia e lia tudo em voz alta para a turma. Eu achava o maior barato ver o alcance das minhas palavras. E resolvi investir no ramo. Meus livros se tornaram best-sellers (na família). Era só bater o texto no computador, fazer um desenho bonito (uma pitada de marketing cai bem), grampear e vender. Para mãe médica e pai engenheiro, uma filha “das letras” era sensação. Meu irmão, caçula, aprovava a brincadeira com gosto; estava começando a aprender a ler.

Depois tive a fase arqueóloga, influência das aulas sobre Egito Antigo. Também já quis ser professora de português e alemão. Era divertidíssimo ensinar as línguas que eu aprendia desde pequena, no colégio, para as minhas bonecas. Mas minha aluna preferida foi a Valdete, faxineira lá de casa. Aplicada, ela fazia todos os deveres.

Próxima parada: psicologia. Sempre gostei de escutar, entender e analisar as pessoas. Administração também passou pela minha cabeça, mas foi coisa rápida. Meu maior talento era mesmo administrar a mesada do meu irmão – e não necessariamente para o bem dele. Quase por fim, médica. Eu folheava, maravilhada, os livros de histopatologia da minha mãe. Queria descobrir curas e ajudar as pessoas.

Cheguei, enfim, a uma importante conclusão: eu queria ser tudo, ou pelo menos conhecer tudo. E foi então que me descobri jornalista. Eu trataria sobre os mais diversos assuntos para alimentar a minha primeira e mais fugaz paixão: escrever histórias. No Jornalismo, me encontrei ao perceber que eu poderia unir a escrita à curiosidade sobre o que me cerca. Afinal, a vontade persistente e inquietante de conhecer coisas, lugares e pessoas faz parte, mais do que do meu trabalho, de quem eu sou – Daniela Pessoa, jornalista, muito prazer.

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