Agaciel Maia Blog

Cotas raciais nas universidades

Postado por Agaciel em 19 junho 2010.

O sistema de cotas raciais na UnB demonstrou-se extremamente eficiente

O sistema de cotas raciais implantado na Universidade de Brasília no ano de 2004, tem demonstrado ao longo dos anos quão eficiente é o sistema que quando de sua implantação causou tanta polêmica.

Estudos realizados por uma professora da própria UnB e um professor de universidade norte americana entre os anos de 2002 e 2005 agora divulgados mostram que o sistema é vencedor em vários aspectos.

Tal estudo consultou 40% dos estudantes da universidade, incluindo aí cotistas e não cotistas e demonstrou que hoje em dia a aceitação a ele é grande, se comparada principalmente à época de sua implantação.

Quando da implantação do sistema de cotas, dizia-se pelos quatro cantos da universidade, que a qualidade dos profissionais formados pelo sistema de cotas seria inferior aos que ingressariam na universidade pelo sistema convencional, e, ao longo do tempo, a pesquisa veio demonstrar exatamente o contrário.

Alunos que ingressaram ao ensino superior através das cotas raciais, tem tido um bom desempenho curricular, e suas notas não são inferiores aos dos outros estudantes, isso demonstra claramente que o desenvolvimento do aluno se dá por ele mesmo.

O aluno ao iniciar os estudos inseridos na grade curricular, passa a ter a responsabilidade pessoal de terminar os seus estudos, ou seja, é ele o responsável ou não pelo seu sucesso a partir dali, e isto não é medido por cotas raciais ou não, sejam eles brancos ou negros, o que importa é o interesse pessoal de cada um.

Além dessa característica demonstrada o estudo também comprovou que a partir de sua implantação, muitos dos estudantes assumiram sua posição racial e assumiram a sua identidade étnica.

Outra característica interessante é que o estudo mostrou que os cotistas passariam no vestibular convencional, por estarem acima das notas de corte da universidade.

A partir daí, fica demonstrado então que o que vale mesmo é o interesse pessoal de cada um, a vontade de vencer na vida e aproveitar a oportunidade que lhe é dada.

Agora , temos que estar atentos quando esses jovens adentrarem no mercado de trabalho, mas, somente com adoção de políticas públicas que efetivamente ajudem os jovens no início de suas carreiras é que poderemos ter os profissionais bem qualificados para executar bem a sua profissão.

E essas oportunidades devem partir do Estado, devem partir do governo através de projetos que incentivem o jovem trabalhador a desempenhar bem o seu papel profissional na sociedade, sendo eles negros ou brancos, índios ou amarelos.

Cabe ao Estado oferecer as condições mínimas necessárias para o ingresso desses jovens no mercado de trabalho, porquanto já se faz provado de que as cotas raciais ao invés de criar animosidade dentro da Universidade de Brasília, trouxe novos horizontes a muitos e fez com que muitos dos seus críticos se calassem diante dos números que ora se apresentam.

Agricultura familiar

Postado por Agaciel em 19 junho 2010.

Responsável por grande parte da produção do DF, a agricultura familiar sustenta mais de 4.500 famílias

Base que alicerça a todos, a família é que nos traz a força necessária para suportarmos as agruras que surgem diante de nós, bem como colher os bons frutos que aparecem em nossas vidas.

Assim, como não poderia deixar de ser, e para nossa subsistência é a agricultura familiar, responsável por grande parte da produção de hortifrutigranjeiros que no Distrito Federal dão sustentação a mais de quatro mil e quinhentas famílias.

Neste domingo (20/06) encerra-se na Concha Acústica a 7º Feira Nacional de Agricultura Familiar e Reforma Agrária, que como diz o próprio nome, apresenta o produto da agricultura familiar.

No DF, apesar dos bons resultados nesse campo, o Estado não dá condições para que esse tipo de trabalho seja desenvolvido com a devida importância.

Vemos que o que falta mesmo é um incentivo por parte do Estado para que essa parcela produtiva possa desempenhar com maior eficiência e produtividade esse trabalho que já trás bons resultados em todo país.

Sendo um dos maiores produtores da chamada agricultura familiar do país, já não é sem tempo que o GDF faça algo para minimizar os problemas dos pequenos agricultores responsáveis por grande parte do abastecimento local de hortaliças, grãos e outros produtos.

No DF, existem apenas duas cooperativas e, ao que parece, não existe um incentivo para que esses trabalhadores/produtores se organizem visando um lucro e produtividade maior.

Com um movimento esperado de cerca de R$ 6 milhões em negócios na feira que ora se realiza, é preciso que se crie políticas de incentivo para esses pequenos produtores, e isto só pode ser feito com boa vontade do governo local e até mesmo do federal que poderá investir abrindo linhas de crédito, financiando máquinas e outros equipamentos que irão incrementar ainda mais a produtividade.

Não é possível desprezar um público de cerca de 100 mil pessoas num evento de apenas cinco dias, uma quantidade de pessoas dessa, mostra a força de nossa agricultura familiar, aquela que produz em pequena quantidade, mas com a qualidade suficiente para que o consumo seja alto e de rentabilidade

É a nossa vontade, que esse tipo de atividade seja bem explorado por moradores do DF em cidades como Brazlândia, São Sebastião, Sobradinho, Planaltina, Taguatinga, Gama, enfim, nas mais diversas regiões administrativas onde existe a exploração da agricultura familiar.

Com incentivo, certamente a produção irá melhorar, famílias terão uma maior rentabilidade e o brasiliense com certeza terá uma mesa mais farta por preços mais módicos.

Bom para todos os seguimentos da sociedade, a agricultura familiar no DF apesar de ser uma das melhores do país com certeza muito tem a melhorar com a criação de condições favoráveis ao seu implemento.

Os caminhos da saúde

Postado por Agaciel em 10 junho 2010.

Os profissionais de saúde devem ser mais valorizados

Com grande alarde, o Governo do Distrito Federal anunciou nesta segunda-feira (07/06), a contratação de aproximadamente 300 profissionais da área de saúde para atuar nos diversos hospitais do DF.

Esses profissionais, a grande maioria de médicos, foram aproveitados do concurso público realizado em 2007 e vão receber um salário bruto mensal de R$ 3.726,61 por 20 horas semanais de trabalho.

A falta de interesse dos médicos pela posse na Secretaria de Saúde é tamanha, na medida em que foram convocados por esta Secretaria mais de 500 operários da saúde, mas a parcela que se apresentou foi muito inferior ao esperado.

Em algumas especialidades, menos da metade das vagas ofertadas foram preenchidas, o que deixa uma quantidade enorme de cargos a serem ocupados tanto para o momento atual quanto para o futuro.

Existem hoje, mais de 20 mil pessoas na fila de espera por cirurgias na rede pública de saúde, e, ao que parece, não será agora que o problema se resolverá.

Custeada pelo Fundo Constitucional do Distrito Federal, a saúde pública da Capital já foi referência nacional, entretanto, neste momento padece de uma atenção maior, para que possa atender aos necessitados com eficiência e zelo.

O que vemos, hoje em dia, são hospitais lotados com pacientes deitados sobre lençóis ou colchões, na grande maioria alojados nos corredores das unidades hospitalares.

Vemos ainda o desestímulo de jovens que se formam em medicina mas que não terão um salário digno, um salário que represente a importância da profissão que salva vidas diariamente.

Além dos médicos, existem também os outros profissionais de saúde, estes também estão jogadas à própria sorte em termos salariais, os planos de carreira não saem do papel, o que faz com que seus proventos sejam ano a ano deteriorados.

É importante que se implante políticas públicas que efetivamente possam estimular os profissionais da área de saúde no DF, políticas essas de valorização do servidor com cursos de especialização, um plano de carreira decente e um atendimento médico compatível com sua importância funcional.

O que vemos atualmente, é que os profissionais de saúde utilizam do artifício de trabalharem em hospitais para serem atendidos, o que infelizmente não garante a atenção devida para esses profissionais, porquanto, tem servidores que passam até seis, sete meses esperando procedimentos que em tese deveriam ser de simples resolução.

É preciso que haja organização e uma administração eficiente para que nossos profissionais de saúde atendam a população com dignidade, mas antes, necessário se faz dar o mesmo tratamento àqueles que são os responsáveis pelo atendimento médico hospitalar da população do Distrito Federal.

Aprendendo a trabalhar

Postado por Agaciel em 5 junho 2010.

Projeto pioneiro implementado no Senado ajuda jovens a se profissionalizar

Dados da Secretaria de Trabalho e Emprego do Distrito Federal dão conta de que hoje 43 mil jovens com idade com idade entre 14 e 18 anos estão desempregados pois não têm experiência profissional.

Sabemos dos problemas enfrentados pelos nossos jovens quando da procura do primeiro emprego, da falta de oportunidade, e até mesmo do ceticismo de alguns empresários em dar uma chance a essas pessoas que tanto necessitam iniciar sua atividade laboral.

Temos conhecimento de que no DF estamos perdendo algumas preciosas vidas para a criminalidade por pura e simples falta de uma chance ser dada aos que chegam na idade de começar a trabalhar e não possuem uma capacitação adequada.

Quando estávamos à frente da Gráfica do Senado, criamos um projeto chamado Menor Aprendiz com o qual demos formação de mão de obra especializada a milhares de jovens, dos quais, muitos desses hoje ocupam as rotativas e máquinas das grandes gráficas de alta tecnologia não só no DF, mas em outros cantos do país.

Essa experiência pioneira no país criou a oportunidade para que fosse implantado pelo atual Governo Federal, um programa homônimo, no qual o jovem com idade entre 14 e 18 anos é cooptado por empresas governamentais e alí aprende um ofício, passando quatro anos de sua vida se especializando e ganhando como remuneração um salário mínimo.

A partir de atitudes como essa, teremos com certeza uma qualidade de vida melhor para nossa juventude, vez que com o trabalho, o jovem se afasta do mundo da criminalidade, das drogas e por conseguinte se formará um cidadão de bem, com valores de vida definidos e pautados no bem estar não só dele, mas da sociedade como um todo.

É necessário se dar ao jovem a oportunidade de se transformar e transformar a qualidade de vida de nossa capital, é necessário investir no futuro, mas, mesmo aprendendo a trabalhar, tem o jovem que ter a responsabilidade de também levar seus estudos adiante.

Por isso, o projeto Menor Aprendiz por nós lançado no Senado Federal atendeu a todos que por ali passaram sempre no seu horário inverso ao dos estudos.

Estudar é de fundamental importância para que todos cheguemos ao topo de nossos anseios e com essas duas ações Brasília com certeza chegará aos cem anos de uma maneira diferente, tendo reais motivos para comemorar.

Vamos pois investir em nossa juventude.

Saber Político: Frases de Rui Barbosa (Parte 2)

Postado por Agaciel em 5 junho 2010.

Rui Barbosa

Rui Barbosa, jurista, ministro da Fazenda (1889-1891), senador, BA (1897- 1908).

1. A mais triste das vidas e a mais triste das mortes são a vida e a morte do homem que não tem coragem de morrer pelo bem, quando por ele não possa viver.

2. Vulgar é o ler, raro o refletir… Um sabedor não é armário de sabedoria armazenada, mas transformador reflexivo de aquisições digeridas. Já se vê quanto vai do saber aparente do saber real…

3. De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.

4. Nesta palavra – Justiça – cabe quase inteira a noção da nossa felicidade na Terra. É a substância da civilização, a essência da sociedade, a síntese da política cristã. As nações medram ou desmedram, segundo a sabem ou não sabem guardar.

5. [...] em todo país civilizado, há duas necessidades fundamentais: que o Poder Legislativo represente o povo, isto é que a eleição não seja falsificada, e que o povo influa efetivamente sobre os seus representantes. E esta última necessidade é a primeira de todas, porque quando um povo tiver influência eficaz, e souber tê-la, o sistema eleitoral há de passar por força de fingimento a realidade. Ora, para influir inteligentemente, o requisito essencial é saber em que sentido a influência tem de se exercer, conhecer os próprios direitos e os meios de mantê-los, perceber os seus interesses e a maneira prática de os levar a efeito. O modo de ação que o povo tem sobre os poderes do estado é a opinião, poder supremo, impalpável e invisível, que paira sobre todos os poderes oficiais, que os domina, inspira, reprime e apoia. O cetro é seu, por direito.

6. Os governos, que têm explorado as acumulações, para aninhar os incompetentes, amigos seus, explorarão, doravante, as desacumulações, para beneficiar os incapazes, seus afilhados. Mera questão de mudança no sistema do arbítrio, de variação no regímen da incompetência, da moda na distribuição do nepotismo. As épocas de servilhismo e prostituição vivem destas superstições. [...]

7. A República não precisa de fazer-se terrível, mas de ser amável; não deve perseguir, mas conciliar; não carece de vingar-se, mas de esquecer; não tem que se coser na pele das antigas reações, mas que alargar e consolidar a liberdade.

8. [...] creio no governo do povo pelo povo; creio, porém, que o governo do povo pelo povo tem a base da sua legitimidade na cultura da inteligência nacional pelo desenvolvimento nacional do ensino, para o qual as maiores liberalidades do Tesouro constituirão sempre o mais reprodutivo emprego da riqueza pública; creio na tribuna sem fúrias e na imprensa sem restrições, porque creio no poder da razão e da verdade; creio na moderação e na tolerância, no progresso e na tradição, no respeito e na disciplina, na impotência fatal dos incompetentes e no valor insuprível das capacidades.

9. Má conselheira é a fome, especialmente para a multidão, em cujo seio há muitos instintos bons, muitas tendências nobres, muitos impulsos desinteressados, mas há também as paixões da ignorância, da indigência, da força. Quando, portanto, a necessidade, que, creio eu, desde que o mundo é mundo, não tem lei, lhe estiver surdamente despertando n’alma esses sentimentos cegos, importa reagir, com certa prudência, no sentido oposto, avivando-lhe esses sentimentos contrários, de abnegação, de paciência, de esperança, de altivez, de fé no trabalho, de ódio à injustiça, tão profundos no povo, mas tantas vezes entibiados, e, entretanto, tão necessários, tão salvadores nesses tempos de provação. [...]

10. A constituição não pode ser tropeço à liberdade, nem à soberania nacional.

11. A democracia que não existe entre nós senão nominalmente, porque as forças populares, pela incapacidade relativa em que as coloca a ausência de sistema de educação nacional, estão de fato mais ou menos excluídas do governo.

12. A escravidão do negro é a mutilação da liberdade do branco.

13. A escravidão é a usura. O que ela quer é o coração do homem vivo.

14. A escravidão, resumo de todos os crimes, supressão organizada do sentimento moral pela covardia e pelo roubo, aveza os povos à promiscuidade habitual com a ignorância, a miséria, a violência, a malversação.

15. A espada não é a ordem, mas a opressão; não é a tranquilidade, mas o terror; não é a disciplina, mas a anarquia; não é a moralidade, mas a corrupção; não é a economia, mas a bancarrota.

16. A força do direito deve superar o direito da força.

17. A imprensa é o dever da verdade.

18. A imprensa, entre os povos livres, não é só o instrumento de vista, não é unicamente o aparelho do ver. Participa nesses organismos coletivos, de quase todas as funções vitais. É, sobretudo, mediante a publicidade que os povos respiram.

19. A justiça atrasada não é justiça, senão injustiça qualificada e manifesta.

20. A justiça está em reconhecer ao herói a glória dos atos em que ele rompia com o seu tempo.

21. A lei de Caim nunca pôs fim ao mal.

22. A liberdade de uma raça fundada na servidão de outra é a mais atroz das mentiras.

Saber Político: Frases de Rui Barbosa (Parte 1)

Postado por Agaciel em 31 maio 2010.

Rui Barbosa

Rui Barbosa, jurista, ministro da Fazenda (1889-1891), senador, BA (1897- 1908).

1. Estremeceu a Justiça; viveu no Trabalho; e não perdeu o Ideal. Palavras que ele próprio escreveu para serem seu epitáfio

2. Que o novo presidente entre com o pé direito. Em discurso feito às vésperas da posse do marechal Hermes da Fonseca.

3. A morte não extingue, transforma; não aniquila, renova; não divorcia, aproxima.

4. Muito há que alguém disse: “O sábio sabe que não sabe”.

5. A justiça pode irritar-se porque é precária. A verdade não se impacienta, porque é eterna.

6. Não se evita a guerra preparando a guerra. Não se obtém a paz senão aparelhando a paz.

7. Não é possível estar dentro da civilização e fora da arte.

8. Não há nada mais relevante para a vida social que a formação do sentimento da justiça.

9. A inteireza do espírito começa por se caracterizar no escrúpulo da linguagem.

10. A pressa é inimiga da perfeição.

11. A vida parlamentar, a administração e o jornalismo têm sido, em toda parte, os mais poderosos corruptores da língua e do bom gosto.

12. O pão é o ventre, o centro da vida orgânica. O ideal é o espírito, órgão de vida eterna.

13. O delírio dos erros incuráveis acerba-se com os embaraços opostos pela razão.

14. Uma raça, cujo espírito não defende o seu solo e o seu idioma, entrega a alma ao estrangeiro, antes de ser por ele absorvida.

15. As leis que não protegem nossos adversários não podem proteger-nos.

16. A imprensa é a vista da nação. Por ela é que a nação acompanha o que lhe passa ao perto e ao longe, enxerga o que lhe malfazem, devassa o que lhe ocultam e tramam, colhe o que lhe sonegam, ou roubam, percebe onde lhe alvejam, ou nodoam, mede o que lhe cerceiam, ou destroem, vela pelo que lhe interessa, e se acautela do que ameaça.

17. A força não constrói, não une, não pacifica. Os grandes exércitos e os armamentos são o infortúnio e o desassossego dos países militarizados.

18. Se alguma coisa divina existe entre os homens, é a justiça. Nisto se compendiam todas as minhas crenças políticas. De todas elas essa é o centro. Mas para que a justiça venha a ser essa força, esse elemento de pureza, esse princípio de estabilidade, é preciso que não se misture com as paixões da rua, ou as paixões dos governos, e seja a justiça isenta, a justiça impassível, a soberana justiça, a congênita em nós, entre os sentimentos sublimes à religião e à verdade.

19. Não somos uma nação em estado de indigência. Carecemos de boa administração, firme e íntegra, circunspeta e audaz.

20. O que o pobre precisa é deixar de ser pobre. Com os grandes e fortes está o lucro, com os fracos e humildes, o perigo.

21. …de bustos e estátuas não sou lá grande entusiasta. Um homem em metal me parece duas vezes morto… Bem-aventurados os que a si mesmo se estatuaram em atos memoráveis, sem deixarem os seus retratos à posteridade, esquecediça ou desdenhosa, vivem a sua vida póstuma desinteressadamente pelos benefícios que lhe herdaram.

22. A nosso ver, a chave misteriosa das desgraças que nos afligem, é esta e só esta; a ignorância popular, mãe da servilidade e da miséria.

23. As instituições planejam-se para a humanidade com as suas contingências e as suas fraquezas, contando especialmente com elas, e tendo particularmente em mira as violências, as mancomunações, as corruptelas, que possam ameaçá-las ou explorá-las.

24. A República não é uma série de fórmulas, mas um conjunto de instituições, cuja realidade se afirma pela sua sinceridade no respeito às leis e na obediência à Justiça.

Que todos possuam um trabalho decente…

Postado por Agaciel em 1 maio 2010.

Um bom dia do trabalhador a todos

É uma data que convida a que pensemos sobre as características do emprego e renda no Brasil. Sabemos da grande massa de trabalhadores subempregados, outra quantidade de empregos informais e também o índice mensal de 7,25% de desmeprego que o Brasil apresenta. Há que se promover o trabalho decente. E trabalho decente deve ser condição fundamental para a superação da pobreza, a redução das desigualdades sociais, a garantia da governabilidade democrática e o desenvolvimento sustentável.
Entendo por trabalho decente aquele trabalho adequadamente remunerado, exercido em condições de liberdade, equidade e segurança, capaz de garantir uma vida digna.
Comemorado no dia 1º de maio, o Dia do Trabalho ou Dia do Trabalhador é uma data comemorativa usada para celebrar as conquistas dos trabalhadores ao longo da história. Nessa mesma data, em 1886, ocorreu uma grande manifestação de trabalhadores na cidade americana de Chicago.
Milhares de trabalhadores protestavam contra as condições desumanas de trabalho e a enorme carga horária pela qual eram submetidos (13 horas diárias). A greve paralisou os Estados Unidos. No dia 3 de maio, houve vários confrontos dos manifestantes com a polícia. No dia seguinte, esses confrontos se intensificaram,
resultando na morte de diversos manifestantes.
As manifestações e os protestos
realizados pelos trabalhadores ficaram conhecidos como a Revolta de Haymarket.
Em 20 de junho de 1889, em Paris, a central sindical chamada Segunda Internacional instituiu o mesmo dia das manifestações como data máxima dos trabalhadores organizados, para assim, lutar pelas 8 horas de trabalho diário. Em 23 de abril de 1919, o senado francês ratificou a jornada de trabalho de 8 horas e proclamou o
dia 1° de maio como feriado nacional.
Após a França estabelecer o Dia do Trabalho, a Rússia foi o primeiro país a adotar a data comemorativa, em 1920. No Brasil, a data foi consolidada em 1924 no governo de Artur Bernardes. Além disso, a partir do governo de Getúlio Vargas, as principais medidas de benefício ao trabalhador passaram a ser anunciadas nesta data.
Deve ser destacado que Getúlio Vargas criou, no Estado Novo, a Justiça do Trabalho, no dia 1 de maio de 1939, pelo decreto-lei no. 1.237. Atualmente, inúmeros países adotam o dia 1° de maio como o Dia do Trabalho, sendo considerado feriado em muitos deles.
Feitas estas considerações históricas, devo ressaltar que nos últimos seis anos o Brasil entrou em um ciclo produtivo forte, e sou levado a crer que, mesmo com a crise internacional, o Brasil dispõe de solidez para continuar crescendo na adversidade e pelos próximos 10 anos. Semana passada o Ministério do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, informou que em 2010 geraremos mais de um milhão de postos de trabalho e que
nosso PIB irá crescer acima dos 2%, contrariando economistas pessimistas, que mesmo diante dos números positivos, insistem em dizer que o Brasil está no fundo do poço.
Ainda não estamos no melhor dos mundos. Mas que estamos a caminho, estamos.

Estágio – menor aprendiz: a solução para profissionalizar e retirar das ruas jovens de 14 a 18 anos

Postado por Agaciel em 7 abril 2010.

O ingresso de jovens no mercado de trabalho diminui vários problemas sociais, entre eles a criminalidade.

Em um mundo globalizado, com a economia a todo vapor, assegurar um lugar ao sol no mercado de trabalho é artigo de primeira necessidade. Ter estabilidade financeira significa ter meios para prover moradia e alimentação para a família. E meios para manter os filhos na escola, meios para atender a suas necessidades com a saúde. Daí que entrar no mercado de trabalho é a meta de toda família.

É oportuno recordar a experiência desenvolvida no Senado Federal à época em que estive à frente da Diretoria da Gráfica do Senado: a formação profissional de menor idade, o chamado “menor aprendiz”. Trabalhando e aprendendo a profissão em turno de até 4 horas diárias, o menor aprendiz adquiria o domínio de um ofício gráfico ao longo de vários anos. O resultado é que parte considerável dos mais excelentes profissionais gráficos de Brasília é egresso da Gráfica do Senado, notadamente aqueles especializados em acabamento e em off-set.

O próprio trabalho do aprendiz deve, portanto, desenvolver-se por meio de uma dinâmica pedagogicamente orientada, sob o ponto de vista teórico e prático, conduzindo à aquisição de um ofício ou de conhecimentos básicos gerais para o trabalho qualificado.

Atualmente o conceito de aprendizagem está contido no art. 428 da CLT, que assim está redigido: “Contrato de aprendizagem é o contrato de trabalho especial, ajustado por escrito, e por prazo determinado, em que o empregador se a assegurar ao maior de 14 (quatorze) e menor de 18 (dezoito) anos, inscrito em programa de aprendizagem, formação técnico-profissional metódica, compatível com o seu desenvolvimento físico, moral e psicológico, e o aprendiz, a executar, com zelo e diligência, as tarefas necessárias a essa formação.”

Sinto ser oportuno propor que o Governo do Distrito Federal amplie a atual legislação afeta ao menor aprendiz, transformando parte considerável de sua estrutura administrativa e de serviços em verdadeiras escolas para jovens aprendizes. Alguns pré-requisitos são necessários – turno de 4 horas, remuneração equivalente a um salário mínimo mensal acrescido do vale-transporte, necessidade de ser estudante assíduo em escola pública e obtenção de 6 como nota média.

Investir nesta proposta significa investir no futuro desses jovens e de suas famílias, uma vez que fornece capacitação profissional aos jovens antes mesmos de estes completarem 18 anos de idade, aumentando significativamente sua chance no mercado de trabalho formal, aquele que implica na assinatura da carteira profissional e na fruição dos diversos benefícios previstos em nossa legislação trabalhista.

De não menos importância é lançarmos hoje, um olhar para o futuro. Com os jovens tendo uma ocupação, uma renda regular, diminui sensivelmente o tempo em que poderia estar nas ruas, presas fáceis da prática de diversos tipos de crimes e, principalmente, do uso de drogas viciantes e ilegais como a maconha, o crack, a cocaína. Vale destacar que investir no menor aprendiz é também, além de todos os benefícios aqui apontados, uma forma de economizar nos gastos com a saúde pública, com a previdência e assistência social.

Saber Político: Frases de Juscelino Kubitscheck (Parte 1)

Postado por Agaciel em 27 março 2010.

Juscelino Kubitscheck, governador de Minas Gerais (1951-1955), presidente do Brasil (1956-1961), senador, GO (1961-1964)

JK. Foto: Gervásio Batista

1. Esta é a última seca que assola o Nordeste. Em visita aos flagelados.

2. Industrializar aceleradamente o país; transferir do exterior para nosso território as bases do desenvolvimento autônomo; fazer da in- dústria manufatureira o centro dinâmico das atividades econômicas nacionais – isto resumiria o meu propósito, a minha opção. Citado em MAYRINK, Geraldo. Juscelino Kubitscheck, In: Grandes Líderes – Nova Cultural.

3. O perdão é a marca da grandeza, sobretudo quando se tem em vista um objetivo mais alto. Memorial JK – www.memorialjk.com.br.

4. Meu sonho é viver e morrer em um país em liberdade. Memorial JK – www.memorialjk.com.br.

5. O otimista pode errar, mas o pessimista já começa errando.

6. Na velha e querida Diamantina eu era o Nonô, menino pobre, filho de Dona Júlia, que andava descalço e não tinha onde estudar.

7. Vivi, naquele 21 de abril de 1960, as maiores emoções de minha vida. O caminho longamente trilhado a serviço do meu país atingira uma eminência que me permitia ter uma visão do conjunto do que, até então, conseguiria realizar… aqueles últimos três anos, eu vive- ra, sonhara, comera e dormira em função de uma data: 21 de abril de1960.

8. Faço hoje, incrivelmente, 72 anos, sinto-me espiritualmente com a idade de 30. Nenhuma ferrugem na alma, nem na vontade… Sinto- me capaz de grandes aventuras, tais como Brasília. Esta graça Deus me conferiu. Se não me permite ver o mundo num halo de esperança também não me fechou nas trevas da desilusão.

9. A liberdade para nós corresponde a uma série de conquistas sociais e políticas.

10. Costumo voltar atrás, sim. Não tenho compromisso com o erro.

Antônio Carlos Magalhães: Um Político Que Faz Falta

Postado por Agaciel em 25 março 2010.

ACM em 2007

“Na Bahia, sou o mesmo que o Senhor do Bonfim: tudo o que acontece, sou o responsável”. Esta frase resume o pensamento político de Antonio Carlos Magalhães. Ele remonta àquela linhagem de políticos com temperamento forte. Fosse na tribuna do Congresso Nacional ou em cima de palanque angariando a simpatia e o voto dos baianos, ACM (como logo ficou conhecido) não era homem de meios-termos. Apaixonado por suas crenças, não titubeava quando era chamado a expressar sua opinião. Muitas vezes era de uma crueldade vocabular única. Era temido por seu ocasional destempero. E, para ele, pouco importava se o adversário era Senador ou Deputado, ministro de Estado ou o presidente da República. Também não escolhia adversário, fossem donos de conglomerados midiáticos, empresários de grosso calibre ou jornalista principiante em jornal do interior. A todos ACM defendia suas idéias com paixão e não havia “fala morna”, ou era quente ou frio.

Nos últimos anos venho me especializando nas estratégias discursivas dos que ocupam ou ocuparam cargos públicos no Brasil e no exterior. Colecionei mais de 5.000 frases que tratam de política, liberdade, eleições, democracia, partidos políticos, ética, justiça, bem comum. Alguns políticos são excelentes na apresentação de discursos escritos, se esmeram na escolha de citações, recheiam o pronunciamento com informações econômicas, dados estatísticos, mas existem outros que parecem estar sempre a postos para fazer um discurso, defender uma idéia, atacar o pensamento dos adversários e vencer a batalha por corações e mentes. É nessa segunda categoria que se encaixa Antonio Carlos Magalhães. É fato que ACM utilizava as palavras como quem participava de duelo, aqueles dos livros populares de “capa e espada”. Sua arma mais temida era, sem dúvida alguma, sua língua. A munição era a frase de efeito pronunciada no momento mais oportuno e, ao mesmo, menos esperado por seus desafetos.

É importante traçar sua trajetória política que teve início em 1954, quando ele se elegeu deputado estadual na Bahia pela antiga União Democrática Nacional (UDN). Quatro anos depois, tornou-se deputado federal, sendo reeleito para mais dois mandatos consecutivos, em 1962 e 1966. Em 1967, durante o regime militar, foi nomeado prefeito da capital baiana, Salvador. Já em 1970, foi indicado pela primeira vez para o governo da Bahia. O político baiano comandou o estado por três vezes. Governou a Bahia também entre 1979 e 1983, quando foi eleito por meio de um colégio eleitoral, e de 1991 a 1994, após ter sido eleito no primeiro turno no pleito de 1990.

Em 1984, durante a campanha das “Diretas Já” pela redemocratização do país, ACM se opôs à candidatura de Paulo Maluf (PDS) à Presidência e deixou a legenda para fundar o Partido da Frente Liberal (PFL), atual Democratas (DEM). Na época, o político baiano apoiou a candidatura de Tancredo Neves, que morreu antes de assumir a Presidência da República. Com a posse do vice José Sarney, ACM foi convidado em 1985 para ser ministro das Comunicações, cargo que exerceu até 1990.

No período em que foi ministro, ACM enfrentou o primeiro drama pessoal. Em 1986, a filha mais nova, Ana Lúcia Magalhães, então com 28 anos, suicidou-se. Antes de cometer o suicídio, ela chegou a ligar para o pai para dizer que não estava bem e que iria se matar.
Em 1994, ACM foi eleito para o Senado Federal. Ele presidiu a Casa entre 1997 a 2001, quando renunciou ao mandato devido às investigações sobre a violação do painel eletrônico do Senado. No entanto, em 2002, conseguiu novo mandato para o Senado.

ACM sofreu outra tragédia pessoal em abril de 1998, quando o filho Luís Eduardo Maron Magalhães morreu de infarto. Ex-presidente da Câmara dos Deputados, Luís Eduardo era considerado seu sucessor político e provável candidato do PFL à Presidência.

Na Bahia, o “carlismo” se consolidou nas décadas seguintes como maior força política do estado. ACM e seus aliados dominaram o governo estadual por 16 anos. A hegemonia “carlista” só foi quebrada em 2006, quando Jaques Wagner (PT) foi eleito governador. Amado e odiado, o senador baiano sempre esteve próximo do poder federal, apesar das diferenças ideológicas entre os sucessivos governos. Foi aliado do regime militar pós-1964 e do tucano de Fernando Henrique Cardoso. Apoiou Lula na eleição de 2002.

ACM respirou política por mais de 40 anos. E falou sobre política por igual período. Não é difícil encontrar vídeos na internet com momentos polêmicos da vida de ACM. Em junho de 1999, na época presidente do Senado, ACM bateu boca com o presidente da Câmara, Michel Temer. O bate-boca entre os presidentes da Câmara e do Senado paralisou o Congresso. Em 8 de abril de 2000 o senador discursou contra seu colega Jader Barbalho (PMDB-PA), e por mais de uma hora a sessão do Senado foi permeada por troca de insultos e acusações.
Destaco algumas de suas famosas frases.

  • Política é como agricultura: não se pode colher fora de hora. Argumen-tando que a “redemocratização deve vir normalmente”. 1972.
  • Fale bem dos amigos todos os dias; fale mal dos inimigos pelo menos duas vezes ao dia. Em entrevista à revista República. Junho de 1997.
  • O Fernando Henrique, com aquele sorriso de aeromoça, não pode continuar enganando o país. Em 30 de janeiro, 1994.
  • Só não fizemos sexo. Sobre seu relacionamento com o presidente Fernando Henrique Cardoso. Abril de 2000.
  • Não tenho nenhum acanhamento de dizer que pertenci ao regime militar e fui peça-chave para derrubá-lo. E o senador Mercadante tinha bem próximo a ele um dos mais atuantes integrantes do regime e traz nas veias o sangue de 64. Afirmando que apoiou o golpe de 1964, mas que, ao contrário do pai de Mercadante, o general do Exército Oswaldo Oliva, também trabalhou para acabar com o regime militar. 30-5-2005.
  • O importante, na política, é dizer não.
  • Há três tipos de repórteres: o que quer dinheiro, o que quer notícia e o que quer emprego. O correto é não dar dinheiro a quem quer notícia, notícia a quem quer emprego e emprego a quem quer dinheiro.
  • A ocasião faz o aliado.
  • Não confie em ninguém cuja a mulher não goste de você.

Durante quatro anos convivi diariamente com o senador Antonio Carlos Magalhães e sou testemunha de seu talento de líder empreendedor, e da forma como dedicava cada minuto de seu dia à sua paixão maior na vida: fazer política. Em sua passagem pela Presidência do Senado Federal, ACM tornou realidade o Interlegis (Comunidade Virtual do Poder Legislativo) e a Unilegis (Universidade do Legislativo Brasileiro), além de haver promovido significativa ampliação da TV Senado, tornando-a uma das mais importantes emissoras de televisão institucional do país.

Antonio Carlos Magalhães morreu no Instituto do Coração, em São Paulo, no dia 20 de julho de 2007, aos 79 anos de idade, recebendo homenagens e reconhecimento por parte de aliados e adversários e entra para a História como uma das principais lideranças da política nacional.

Passando em revista os últimos anos, recordando os caminhos e descaminhos da política brasileira, conservo comigo a convicção de que ACM faz muita falta ao Brasil.

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