Pesquisa extensa, trabalho árduo. Missão cumprida.
Saber Político é um livro valioso por vários motivos. E sua leitura mostra ser prazerosa para os mais diversos gostos: ao político que aqui encontrará a frase ideal para dar relevo em seu pronunciamento; ao pesquisador da ciência política que poderá contextualizar suas teses levando em conta o que personagens da história política mundial disseram sobre a mais formidável gama de assuntos; ao estudante universitário que pretende concluir sua dissertação de conclusão de curso, como os de Direito, Ciência Política, Relações Internacionais, História, dentre outros. É valioso também para quem demonstra interesse em conhecer melhor os personagens que fizeram e fazem a nossa História, entender como se deu a construção e mesmo o funcionamento de nossas Instituições Republicanas.
Recolher mais de 5.000 frases em uma obra única abordando assuntos diversos como política, liberdade, ética e leis exigiu muito esforço, pois tinha que se contextualizar a imensa maioria das frases, localizar cronologicamente o autor e sua frase, reter o contexto mesmo em que foram pronunciadas e, muitas vezes, apresentar também sua repercussão nos meios midiáticos.
Para entender o espírito que anima obra dessa envergadura e escopo há que ter apreço pelo esgrimir de idéias, pelo artesanato de palavras e também admiração pelos grande filósofos e tribunos. Um grande filósofo produz obra perene, um grande líder político produz idéias duradouras que, de um jeito ou de outro, terminam por moldar o pensamento de seus contemporâneos e mais ainda, das gerações futuras.
É oportuno destacar estes breves excertos da brilhante introdução com que seu autor, Agaciel da Silva Maia nos apresentou a obra:
Uma frase pode ser o grito de nascimento de uma nação independente – como o famoso “Independência ou Morte!”, de Dom Pedro I, às margens do Ipiranga, em 7 de setembro de 1822. Outra frase pode ser as últimas palavras da condenada à morte por enformento, que inocente, exclama em 31/8/1852: “Podeis me matar mas não podeis impedir a emancipação feminina!”. Uma frase pode ser polêmica e envolver uma grave situação diplomática entre dois países. Exemplo sempre recorrente tem sido o da frase atribuída ao presidente francês Charles de Gaulle, que no auge da crise política surgida entre Brasil e França, nos anos de 1960, decorrente da apreensão de pesqueiros franceses que capturavam lagostas na costa brasileira. Irritado, teria dito: “Le Brésil n’est pas um pays sérieux. (O Brasil não é um país sério). Pois bem, De Gaulle morreu sem conseguir convencer que não aquelas palavras não haviam saído de sua boca. Reza a lenda que o presidente francês afirmou quase todas as palavras dessa frase. Mas tem um detalhe, o adjetivo “sério” teria sido acrescentado pelo então embaixador do Brasil em Paris, Carlos Alves de Souza, para amenizar o estrago
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Cotejando essas frases uma característica muito comum é de o autor desancar o governo, não importa se este é de direita, de centro ou de esquerda. Não importa também se o governo foi eleito democraticamente ou foi fruto de um golpe de estado. Uma coisa fica patente: falar mal do governo de plantão é quase uma unanimidade nacional. Pode-se melhor ilustrar esta constatação com a famosa frase do filósofo francês Joseph De Maistre (1753-1821), crítico da Revolução Francesa, inimigo das repúblicas e defensor das monarquias. De Maistre afirmou: “Cada povo tem o governo que merece.” Cabe chamar a atenção para o fato de que apesar de a frase ter servido sempre para atanazar todos os governos, os alvos preferidos são aqueles escolhidos por voto popular. Porém, nada se diz quando os eleitores mostram sabedoria nas votações. Assim, contrariando a máxima popular, o filho feio sempre tem por pai o próprio povo. No fundo, a crítica não é aos maus governantes, mas aos responsáveis por sua elevação aos cargos.
Concluídas estas palavras é o momento de empreendermos a leitura. E aqui uma surpresa agradável: podemos começar a lê-la a partir de qualquer página, podemos desejar conhecer o pensamento recolhido em frases unicamente proferidas por Marx ou pelo Visconde de Abaeté, por Voltaire ou por Carlos Lacerda, por Machado de Assis ou por Antonio Carlos Magalhães. Vistas em conjunto, por autor, encontramos um retrato vibrante das idéias que caracterizaram este ou aquele período da História, mas, acima de tudo, encontramos pistas significativas sobre o pensamento político que animou cada autor.
Esta é uma daquelas obras que jamais poderão faltar na estante dos verdadeiros amantes da arte da política, da liberdade, da ética e do espírito que anima as leis.
Wellington Rodrigues de Andrade – Historiador.
Acesse a página do livro e leia o prefácio na íntegra aqui.
Agaciel Maia - Deputado Distrital / DF
Câmara Legislativa do Distrito Federal