Prefácio de Jarbas Passarinho
Dinarte Mariz: Vida e Luta de um Potiguar.
Conheci Dinarte Mariz quando tomei posse, em 1967, no primeiro mandato de Senador pelo Pará. Recebeu-me afetuosamente mas comedido. Tinha íntimo relacionamento com oficiais do Exército, alguns de minha turma da Escola Militar de Realengo, no Rio de Janeiro.
Ao reeleger-me, em 1974, a minha carteira de Senador, que tenho, ainda, comigo, deu-ma Dinarte, como 1o Secretário, por ele assinada.
Só passei 15 dias no desempenho do cargo, pois logo assumi, a convite do Presidente Costa e Silva, o Ministério do Trabalho e Previdência Social. Dinarte procurou-me, apresentou-me o Doutor Tarcísio Maia, que presidia o Instituto de Previdência dos Servidores Públicos (IPASE). A lei, de iniciativa do Presidente Castello Branco, sancionada nos últimos dias de sua gestão, determinava a unificação de todos os Institutos no INPS, cabendo-me cumpri-la. Foi um grande desafio, pois os Institutos se opunham à unificação especialmente o dos bancários. Mas o IPASE ficou fora pela lei da unificação, o que permitiu crescente amizade com Tarcísio Maia que, por indicação de Dinarte, fora nomeado. Essa amizade entre mim e Tarcísio Maia, que se estreitou fazendo-nos amigos até a morte dele, devi a Dinarte.
Em seguida, ao fim de novembro de 1969, o Presidente Médici me nomeou Ministro da Educação. Volta Dinarte a mim e me proporciona conhecer e manter como Reitor da Universidade do Rio Grande do Norte, o mestre Onofre Lopes, um excepcional educador. Universidade que ele criara quando Governador do Estado e fora federalizada há pouco. Na minha gestão no MEC, selecionei cinco Universidades Federais como prioritárias para a criação dos campus. Uma foi a do Rio Grande do Norte, cujas faculdades estavam funcionando distantes uma da outra. Construímos o campus sob a supervisão permanente do excelente Reitor Onofre Lopes. Tive a felicidade de inaugurar as instalações na cidade de Natal. Dinarte foi parte dessa obra, na medida que acompanhou-a zelosamente.
Coube-me a honra de saudar Dinarte em comemoração pela concessão, pelo Conselho Universitário da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, com o voto de estudantes que o integravam junto com os professores conselheiros, do título de Doutor Honoris Causa.
Lastimo que minhas palavras não hajam sido gravadas, pois as proferi de improviso em que proclamei quão justo era o título e quanto devia a Universidade a Dinarte Mariz. No Senado, fomos sempre do mesmo partido, a Arena, depois PDS, para observar a nova lei que exigia fossem todos os partidos políticos denominados Partidos.
Sempre leal ao Partido e aos Presidentes eleitos pelo Colégio Eleitoral, Dinarte era uma voz sempre presente aos trabalhos da Casa Superior sem deixar, um momento sequer, de lutar pelas reivindicações do Estado que representava. Em 1979/1980, tive a honra de liderar a bancada governista onde ele sobressaía pelo respeito que mesmo os nossos adversários lhe tinham.
Quando presidi o Senado, entre 1981/1982, iniciei um projeto de edição de testemunhos dos Senadores cuja vida pública se confundia com a vida republicana.
Os jornalistas Aluízio Carvalho, Haroldo Holanda e Augusto Freitas, profissionais conceituados, entrevistariam os Senadores, e a Editora Dom Quixote, de Marcone Formiga, editaria os livros.
Tudo correu bem, em relação a Daniel Krieger, um admirável líder. Já com Dinarte Mariz, algumas entrevistas foram gravadas, no Senado. Numa delas, Dinarte revelava a luta por ele liderada em Caicó contra os revoltosos comunistas que haviam tomado a capital e encontraram em Dinarte e seus companheiros o obstáculo insuperável em Caicó.
Uma vez vitoriosos, Dinarte e sua tropa dirigiram-se a Natal, que já encontraram libertada pelo Exército. Sentindo-se cansado (já doente), Dinarte desejou que as entrevistas finais fossem efetivadas na sua fazenda Solidão, interior do Rio Grande do Norte. Infelizmente, foram interrompidas pouco antes de sua morte.
As gravações foram emprestadas ao Reitor Diógenes da Cunha Lima, que as tem até hoje.
Um fato particular e significativo para mim foi a surpresa que me causou a afirmação que ele me fez de que um seu parente, de Caicó, era o personagem central do meu romance Terra Encharcada, premiado em Belém do Pará. É o chamado roman à clef, baseado em fatos reais, no caso uma revolta de trabalhadores escravos em seringais do Pará. O herói, que não praticou nenhuma violência, mas libertou seus companheiros, chamava-se Cesário, que Dinarte reconheceu lendo meu livro.
O excelente trabalho realizado pelo Doutor Agaciel Maia é uma breve história da vida profícua de um patriota e líder devotado a servir não só ao Rio Grande do Norte, como também, por sua projeção nacional, ao Brasil.






Agaciel Maia - Deputado Distrital / DF
Câmara Legislativa do Distrito Federal