
Rui Barbosa
A mais triste das vidas e a mais triste das mortes são a vida e a morte do homem que não tem coragem de morrer pelo bem, quando por ele não possa viver.
A palavra numa atmosfera eletrizada adquire estranha sonoridade, lampeja, deflagra, atroa, fulmina.
A pátria é a família ampliada.
A política é que transformou o direito privado, revolucionou o direito penal, instituiu o direito constitucional, criou o direito internacional. É o próprio viver dos povos, é a força ou o direito, é a civilização ou a barbaria, é a guerra ou a paz.
A política não é esse jogo de intriga, da inveja e da incapacidade, a que entre nós se deu a alcunha de politicagem.
A primeira condição do sistema representativo é que o parlamento seja independente, e nós somos governados por um parlamento cada vez mais servil.
Aprendamos na injustiça de que fomos vítimas, a não a fazer aos nossos semelhantes.
As contradições de um homem com o seu passado não incorrem justamente em censura, senão quando caminha do bem para o mal, da verdade para o erro.
As formas não convertem os homens. As leis não destroem os costumes.
As injúrias dos malévolos são a primeira recompensa dos que defendem a verdade.
As leis são um freio para os crimes públicos; a religião, para os crimes secretos.
Atrás da anonímia se alaparda a covardia, se agacha o enredo, se ancora a mentira, se acaçapa a subserviência, se arrasta a venalidade.
Com a mesma continuidade com que devora as noites do homem ocupado e as do ocioso, os milhões do opulento e as migalhas do operário, o jogo tripudia uniformemente sobre as sociedades.
Crime é a presunção contra a qual não se tolera defesa nas sociedades oprimidas e acovardadas.
Das crises que pelo Brasil estão passando e dia-a-dia sentimos crescer aceleradamente: política, econômica, financeira, não vêm a ser mais que sintomas, exteriorizações parciais, manifestações reveladoras de um estado profundo: uma suprema crise moral.
Das desgraças onde naufragam a honra e o dever, em todas as classes sociais, não há origem mais frequente que o jogo.
De quanto no mundo tenho visto, o resumo se abrange nestas cinco palavras: não há justiça sem Deus.
De todas as liberdades é a imprensa a mais necessária e a mais conspícua; sobranceia e reina entre as mais.
Desconfiai dos rótulos que mentem, meus amigos, e habilitai-vos a contrastar a mercadoria com o critério vivo do vosso bom-senso.
Deus me livre de que, na conta à minha consciência, pudesse eu arguir algum dia a mim mesmo da covardia de emudecer.
Do mal em política, muitas vezes nasce o bem; da violência, o direito.
É pelo contacto dos fatos, das coisas, dos homens, que nós aprendemos todos os dias, melhoramos, e todos os dias reformamos as nossas idéias.
Em cada processo com o escritor comparece a juízo a própria liberdade.
Em política é a mesma coisa que em religião: o essencial não é estar na profissão do credo, mas na prática das obras.
Agaciel Maia - Deputado Distrital / DF
Câmara Legislativa do Distrito Federal